-->

Volta no tempo

Ainda não deu pra conhecer muito da cidade. Visitamos mais a área próxima à universidade, pra procurar apartamento, conforme relatado no post anterior. Mas já deu pra perceber que aqui tem lugares incríveis. Uma volta no tempo quase. Como estamos na correria pra arrumar lugar pra morar, fazer matrícula na universidade, no curso de espanhol e nos instalarmos direito por aqui, às vezes andamos pelas ruas e nem reparamos nas construções, jardins e coisas bonitas que tem pra se ver. Mas hoje não teve como não ficar impressionada com a Catedral de Salamanca. 
Estávamos rodando naquelas ruas do centro histórico (pra variar). Ruas tipo essa aí da foto que eu tirei no primeiro dia que andamos pelo centro. Bem apertadinhas, pequenas, tortas, com construções de pedra, bem altas e nas quais você se perde com muita facilidade.


 Tentávamos achar o lugar onde se pega os papéis para fazer a matrícula. Perguntamos pra várias pessoas como chegar ao local, porque ali, nem o mapa tava ajudando muito. É aquela história, quem tem boca vai a Roma. E se não fosse o super espanhol da Mylena e o meu portunhol arranhado, seria muito difícil achar qualquer coisa ali.
Eis que perguntamos a uma moça que passava onde fica o setor de Relações Internacionais da Universidade. Ela disse que era próximo a Catedral. Seguimos perguntando até avistar uma torre bem alta. Fomos naquela direção. Quando viramos uma das ruazinhas, demos de cara com uma construção monstruosa de grande. Já tínhamos visto coisas muito bonitas, impressionantes, antigas... Mas igual à Catedral, nada. Eu simplesmente parei no meio do caminho e fiquei olhando de boca aberta. Nem lembrei que tinha uma máquina fotográfica na mochila. Mas procurei no Google (santo Google!) umas fotos.











Repare só o tamanho das pessoas em relação à construção. 
É muito grande e rico em detalhes. Fiquei me perguntando como eles fizeram pra erguer isso com tão poucos recursos disponíveis na época. Eu poderia ficar horas lá na frente, só olhando. Mas tínhamos pressa. Todos os departamentos administrativos da universidade fecham às duas, por causa da maldita siesta. Então, se não resolvermos até esse horário, só no dia seguinte. 
Enfim, outro dia volto lá e tiro muitas fotos pra colocar aqui.

Em busca de um lar...


Como aqui os alojamentos da universidade são muito caros, os estudantes preferem alugar apartamentos, ou quartos. A universidade oferece uma lista com as vagas disponíveis na cidade. Ela é atualizada diariamente. Ontem nós pegamos essa lista e hoje olhamos váááááários.
Antes de ir aos locais, fomos a um "locutório" (lugar que tem cabines telefônicas) e ligamos para pedir informações sobre os apartamentos. De manhã nós ficamos meio desesperadas. Parecia que tudo já estava alugado. Mas fomos à universidade e pegamos uma nova lista. Aí sim, conseguimos falar com muita gente. E visitamos vários.
- No primeiro eram dois rapazes latinos e tinha mais uma vaga. O valor é 180 euros. É bem próximo à universidade, mas o quarto é bem apertado e são dois homens. Não rola morar com dois homens, né?! 
- Depois, vimos um que tem uma vaga só, de 190 euros, mais outros gastos, que devem dar por volta de 20, 25 euros. Ou seja, uns 215 euros. Moram duas meninas e um menino. Mas nós não vimos nenhum deles... 
- Então fomos em um que está em reforma. Tem 4 vagas. Está todo desocupado. Fica mais afastado da universidade. Uns 13 minutos. Os preços são 180 e 160 euros (a diferença é por causa do tamanho dos quartos). Mais outros gastos, 20, 25 euros. Eu gostei, mas fiquei com medo do inverno, já que é mais afastado da universidade. Imagina acordar cedo todo dia e andar 13 minutos na neve e no vento pra ir na aula. Vou perder as primeiras aulas todos os dias.
- Fomos em um muito bom. Muito chique. Mas muito caro. 250 euros mais gastos. Ou seja, uns 275, no mínimo. Esse é só de meninas. E já morava uma alemã lá que não falava nada de espanhol.
- Fomos em um que mora uma espanhola. Tem um quarto que é 200 euros e um que é 220. Mais os gastos de 20, 25 euros. O apartamento é muito bom. Arrumadinho. Mas a espanhola que mora lá parece mais velha. Deve estar fazendo doutorado ou mestrado. E parece ser enjoada com limpeza, barulho.. Moram mais duas portuguesas lá. Esse é só de meninas também. O local é bom. 
- Esse aqui foi o mais engraçado. A Mylena ligou e atendeu um rapaz. Aí ela marcou de visitar o apartamento e ficou falando que o rapaz era muito simpático e que ficou encantada com jeito que ele falava espanhol tal. Quando a gente chegou no lugar e o cara abriu a porta e fomos falando espanhol. Aí, do nada, ele vira e pergunta, de onde a gente é. Respondemos: Brasil. Aí ele começou a rir e disse que era brasileiro também, com um sotaque carregadíssimo. Ele é lá do Recife e já está há 2 anos aqui. Está fazendo doutorado. O apartamento dele é novo. Quartos grandes. Cada um de um preço, de acordo com o tamanho: 160, 175 e 190 euros. E, como sempre, gastos extras... 20, 25 euros. Ele foi muito simpático mesmo e nos deu algumas dicas.
- Depois fomos em um de 150 euros. É bem cara de república mesmo, com um monte de coisas pregadas nas paredes. E quem abriu a porta era uma moça muito gorda que estava dormindo às 8h da noite. Diz o dono do apartamento que ela é uma moça muito boa e caseira. Deve ser mesmo, porque pra estar dormindo às 8h da noite... Moram ela e mais um rapaz. Os gastos com luz, água, internet, também são cobrados separadamente.
- Nesse mesmo prédio, que também é o mesmo do panamenho, tinha um outro apartamento. Nós marcamos de ir visitar, mas chegamos atrasados porque ficamos conversando com o cara de Recife. Na hora que nós tocamos os interfone, o cara que ia mostrar o outro apartamento (o da gorda) apareceu. Aí nos deixamos a mulher falando sozinha no interfone e subimos pro outro. Depois da sair do da gorda, disfarçamos um pouco e voltamos pra tocar o interfone de novo. Esse é o melhor, na minha opinião. Pertinho da univerisidade. Bem arrumado. E com preço bom. São 4 quartos. Um de 175, um de 180 e dois de 220 euros. Depende do tamanho. Mas são todos de um tamanho decente. Comparado ao que eu morava em Juiz de Fora, todos são enormes... rs!  E, como não poderia deixar de ser, tem os gastos à parte. Nenhum está alugado ainda. 

Isso, fora os que a gente foi na rua, mas não achou o número. Os que a gente ligou e não aceitam estrangeiros, ou só aceitam gente que vai morar por um ano, ou já estavam alugados..

O bom é que já conhecemos a região da universidade toda. E, se um dia eu precisar alugar um quarto ou apartamento e negociar em espanhol, já tô fera, neném!

A viagem

Bom, a primeira coisa que deve ser registrada é o fato de que em 99% das viagens, independente se é de avião, trem ou ônibus,  tem um bêbe chorando e um chato tossindo. Na minha viagem tinha o bebê. E também tinha o chato da tosse. Que, no caso, era eu. Acho que mais chato que suportar a tosse dos outros é ser o tossidor. Porque, se não é você quem está tossindo, pelo menos é possível tentar abstrair, colocar um fone no ouvido, e dormir. Mas, no final das contas, até que eu consegui tirar um cochilo de mais ou menos uma hora e meia. Já que eu embarquei às 17h (horário de Brasília), e eles serviram o jantar por volta das 20h39, 21h (ainda no horário de Brasília). Depois disso, assisti um filminho e cochilei. Acordei com as luzes do avião acesas e todos prontos para o café da manhã. É que o avião chegaria em Lisboa mais ou menos 6h30 da manhã (horário de Lisboa), então, a companhia aérea optou por agradar a todos os fusos horários. E como no fuso de Portugal seria por volta de 5h da manhã, o café já estava sendo servido. O problema é que pra mim aquilo estava mais pra lanchinho da madrugada, já que, no meu fuso horário, ainda eram 1h da manhã.
Tudo bem. Acordei. Comi. O avião aterrissou. Na hora do desembarque, nada melhor do que seguir o fluxo. Onde a galera estiver indo, você vai também, com a cara mais confiante possível. Passei pela imigração. Tudo certo.
Dei uma voltinha pelo aeroporto e achei umas coisas que considerei interessantes:

Uma lata de azeite Gallo, dessas que tem em qualquer restaurantezinho no Brasil, no Free Shop custa 9,90. Mas, atenção, 9,90 EUROS. Tipo, uns 22 reais (???). Cheguei a conclusão de que barato no Free Shop é só a vodka mesmo.
E o que dizer das logomarcas conhecidas no Brasil, mas com nomes diferentes?

Kibom/Olá


Época/Focus

A aventura estava só começando. Como para o meu corpo ainda era de madrugada. Cacei uns bancos vazios, fiz minha mochila de travesseiro e dormi. Desse naipe aí (só que em cadeiras menos confortáveis).


O vôo para Madri sairia só às 15h15 (doce ilusão). Até tentei adiantar, mas os vôos anteriores estavam todos cheios. Depois de dormir, fui comer (almoçar, no horário de Lisboa, café da manhã, no horário de Brasília). A essa altura já tinha tentado entrar na internet. Mas era paga. Desisti.
Fui procurar o portão do vôo. No tempo que eu fiquei lá mudou umas três vezes. E cada hora era numa ponta do aeroporto. Mesmo andando quilômetros lá dentro, estava feliz porque o vôo não estava atrasado. Precisava chegar no horário. Ou, no máximo, com meia hora de atraso, para conseguir pegar o ônibus para Salamanca. Eu já tinha comprado a passagem. Era só uma questão (literalmente) de tempo. É que Murphy tarda, mas não falha. O vôo atrasou. As pessoas colaboraram e demoraram a entrar no avião. O vôo em si até que foi rápido. Mas foi mais uma odisséia para abrirem as portas. Finalmente saí do avião. Fui pegar as bagagens. Mas quem disse que elas apareciam? E quando apareceram, quem disse que as minhas passavam? A maior parte das pessoas já tinha pegado as malas, quando as minhas resolveram aparecer. Já estava achando que elas tinham sido extraviadas. Olhei no relógio. Faltavam cinco minutos pro ônibus sair. Se eu corresse, quem sabe dava tempo. Não tinha que fazer imigração nem nada... Era só achar o terminal do ônibus. Só isso. No bilhete falava Terminal 1. Eu estava no Terminal 2. Fui seguindo as placas. Até que achei algo parecido com um ponto de ônibus. Pedi informação e o moço falou que era do ooooooooutro lado do aeroporto. Ótimo! Sai a Tainá correndo, empurrando um carrinho com duas malas gigantes.
Quando chego do outro lado, peço informação de novo. O moço disse que eu tinha que descer e ir até o final do corredor. Mas descer como? Só tinha escada para descer. Só se eu me jogasse do parapeito, junto com as malas. Não via outra alternativa. Até que achei um elevador. Mas era pequeno. Me indicaram outro. Do lado de fora. Desci. Olhei no relógio. Já tinham passado mais de 20 minutos do horário. É. Perdi. Fui até o guichê da companhia tentar trocar o bilhete, mas a moça disse que eles não realizam troca (já sabia disso quando comprei, mas quem sabe, né?!). Tinham poucas vagas para o próximo, e último, horário. Resolvi reclamar na companhia aérea, pra ver seles pagavam a passagem pra mim. Se fosse perto, dava tempo. Mas me informaram que o guichê da TAP era do oooooooooooooooutro lado do aeroporto. Resolvi comprar o bilhete com meu dinheiro mesmo e depois ir à companhia. Quando cheguei lá, só uma vaga: a minha! Realizada a compra, fui lá registrar minha indignação. Tinha esperança de ter o dinheiro de volta. Mas o moço do guichê disse que eles não se responsabilizam quando o atraso deles prejudica o embarque em outros tipos transporte não previstos na compra do bilhete aéreo. Mas que eu podia registrar uma queixa, que eles analisariam. Tinha uma outra basileira lá. Também reclamando. Ela tinha perdido três vôos por causa do atraso. É aquela história: olha pra baixo, tem alguém te dando tchau. Fiquei até feliz que tinha perdido só um ônibus.
Registrei a queixa e fui pro terminal pegar o ônibus. Não sem antes dar um acesso de tosse em frente aos outros passageiros! Na correria, tinha até esquecido que estava com alergia. Dentro do ônibus consegui respirar. Pude entrar na internet e dar sinal de vida. Estava morta. Estrupiada. Com uma olheira enorme. O que eu mais queria um banho e uma garrafa d'água. Cheguei em Salamanca. A cidade é tão linda que até esqueci o cansaço! O Igor Brasileiro foi me recepcionar na rodoviária. Pegamos um táxi. O último meio de transporte do dia. Cheguei no hotel e realizei o sonho da água e do banho. Agora estou feliz!

Moral do dia: não conte a pontualidade das companhias aéreas.