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Ajudando a salvar o planeta

A consciência ecológica aqui é uma coisa interessante. A primeira vez que fomos ao supermercado ficamos surpresos. Quando passamos pelo caixa, a moça nos disse que teríamos que pagar pelas sacolas de plástico, já que não tínhamos aquelas sacolas ecológicas.

Cada sacola plástica custa 0,03 euros. Ao passo que uma sacola ecológica comum (existem também as de rodinhas) custa no máximo 0,50. Ou seja, a cada 16 sacolas de plástico é possível comprar uma ecológica. Compensa muito, já que precisamos fazer compras sempre. Então, além de economizar (por mais que seja pouco, esse pouco pode fazer diferença no final), ajudamos a salvar o planeta.

Não são todos os supermercados que cobram pelas sacolas. Mesmo assim, aqui na Espanha, pelo que eu pude perceber, a grande maioria das pessoas prefere as sacolas ecológicas. Até porque, andando pelo mercado não se vê muito aqueles carrinhos enormes e lotados de comida. Parece que as pessoas compram de pouco em pouco. Não fazem compra do mês, como no Brasil. Assim, é possível carregar o que se comprou nas sacolas ecológicas.

Não sei em que pé está a legislação que proíbe o uso de sacolas plásticas no Brasil. Mas sei que em alguns lugares do nosso país a lei já está valendo. Os estabelecimentos ainda têm um prazo para se adequar. Mas, creio que, para que essa legislação funcione, será necessário fazer algo parecido com o que há aqui. Neste processo de transição, talvez seria interessante que os mercados cobrem um valor simbólico pelas sacolas de plástico. Afinal, nós sabemos bem que só mexendo no bolso as pessoas se mobilizam. Se elas tiverem que pagar, vão pensar duas vezes antes de optar pelas sacolsa convencionais. Assim, até o final do prazo estabelecido, grande parte dos consumidores já teria a sua sacola ecológica e teria mudado seus hábitos.

Não sei como seria a recepção de uma medida desse gênero pelos consumidores. Mas é uma alternativa a se pensar.



Eu já comprei as minhas. Duas!

Volta no tempo

Ainda não deu pra conhecer muito da cidade. Visitamos mais a área próxima à universidade, pra procurar apartamento, conforme relatado no post anterior. Mas já deu pra perceber que aqui tem lugares incríveis. Uma volta no tempo quase. Como estamos na correria pra arrumar lugar pra morar, fazer matrícula na universidade, no curso de espanhol e nos instalarmos direito por aqui, às vezes andamos pelas ruas e nem reparamos nas construções, jardins e coisas bonitas que tem pra se ver. Mas hoje não teve como não ficar impressionada com a Catedral de Salamanca. 
Estávamos rodando naquelas ruas do centro histórico (pra variar). Ruas tipo essa aí da foto que eu tirei no primeiro dia que andamos pelo centro. Bem apertadinhas, pequenas, tortas, com construções de pedra, bem altas e nas quais você se perde com muita facilidade.


 Tentávamos achar o lugar onde se pega os papéis para fazer a matrícula. Perguntamos pra várias pessoas como chegar ao local, porque ali, nem o mapa tava ajudando muito. É aquela história, quem tem boca vai a Roma. E se não fosse o super espanhol da Mylena e o meu portunhol arranhado, seria muito difícil achar qualquer coisa ali.
Eis que perguntamos a uma moça que passava onde fica o setor de Relações Internacionais da Universidade. Ela disse que era próximo a Catedral. Seguimos perguntando até avistar uma torre bem alta. Fomos naquela direção. Quando viramos uma das ruazinhas, demos de cara com uma construção monstruosa de grande. Já tínhamos visto coisas muito bonitas, impressionantes, antigas... Mas igual à Catedral, nada. Eu simplesmente parei no meio do caminho e fiquei olhando de boca aberta. Nem lembrei que tinha uma máquina fotográfica na mochila. Mas procurei no Google (santo Google!) umas fotos.











Repare só o tamanho das pessoas em relação à construção. 
É muito grande e rico em detalhes. Fiquei me perguntando como eles fizeram pra erguer isso com tão poucos recursos disponíveis na época. Eu poderia ficar horas lá na frente, só olhando. Mas tínhamos pressa. Todos os departamentos administrativos da universidade fecham às duas, por causa da maldita siesta. Então, se não resolvermos até esse horário, só no dia seguinte. 
Enfim, outro dia volto lá e tiro muitas fotos pra colocar aqui.

Em busca de um lar...


Como aqui os alojamentos da universidade são muito caros, os estudantes preferem alugar apartamentos, ou quartos. A universidade oferece uma lista com as vagas disponíveis na cidade. Ela é atualizada diariamente. Ontem nós pegamos essa lista e hoje olhamos váááááários.
Antes de ir aos locais, fomos a um "locutório" (lugar que tem cabines telefônicas) e ligamos para pedir informações sobre os apartamentos. De manhã nós ficamos meio desesperadas. Parecia que tudo já estava alugado. Mas fomos à universidade e pegamos uma nova lista. Aí sim, conseguimos falar com muita gente. E visitamos vários.
- No primeiro eram dois rapazes latinos e tinha mais uma vaga. O valor é 180 euros. É bem próximo à universidade, mas o quarto é bem apertado e são dois homens. Não rola morar com dois homens, né?! 
- Depois, vimos um que tem uma vaga só, de 190 euros, mais outros gastos, que devem dar por volta de 20, 25 euros. Ou seja, uns 215 euros. Moram duas meninas e um menino. Mas nós não vimos nenhum deles... 
- Então fomos em um que está em reforma. Tem 4 vagas. Está todo desocupado. Fica mais afastado da universidade. Uns 13 minutos. Os preços são 180 e 160 euros (a diferença é por causa do tamanho dos quartos). Mais outros gastos, 20, 25 euros. Eu gostei, mas fiquei com medo do inverno, já que é mais afastado da universidade. Imagina acordar cedo todo dia e andar 13 minutos na neve e no vento pra ir na aula. Vou perder as primeiras aulas todos os dias.
- Fomos em um muito bom. Muito chique. Mas muito caro. 250 euros mais gastos. Ou seja, uns 275, no mínimo. Esse é só de meninas. E já morava uma alemã lá que não falava nada de espanhol.
- Fomos em um que mora uma espanhola. Tem um quarto que é 200 euros e um que é 220. Mais os gastos de 20, 25 euros. O apartamento é muito bom. Arrumadinho. Mas a espanhola que mora lá parece mais velha. Deve estar fazendo doutorado ou mestrado. E parece ser enjoada com limpeza, barulho.. Moram mais duas portuguesas lá. Esse é só de meninas também. O local é bom. 
- Esse aqui foi o mais engraçado. A Mylena ligou e atendeu um rapaz. Aí ela marcou de visitar o apartamento e ficou falando que o rapaz era muito simpático e que ficou encantada com jeito que ele falava espanhol tal. Quando a gente chegou no lugar e o cara abriu a porta e fomos falando espanhol. Aí, do nada, ele vira e pergunta, de onde a gente é. Respondemos: Brasil. Aí ele começou a rir e disse que era brasileiro também, com um sotaque carregadíssimo. Ele é lá do Recife e já está há 2 anos aqui. Está fazendo doutorado. O apartamento dele é novo. Quartos grandes. Cada um de um preço, de acordo com o tamanho: 160, 175 e 190 euros. E, como sempre, gastos extras... 20, 25 euros. Ele foi muito simpático mesmo e nos deu algumas dicas.
- Depois fomos em um de 150 euros. É bem cara de república mesmo, com um monte de coisas pregadas nas paredes. E quem abriu a porta era uma moça muito gorda que estava dormindo às 8h da noite. Diz o dono do apartamento que ela é uma moça muito boa e caseira. Deve ser mesmo, porque pra estar dormindo às 8h da noite... Moram ela e mais um rapaz. Os gastos com luz, água, internet, também são cobrados separadamente.
- Nesse mesmo prédio, que também é o mesmo do panamenho, tinha um outro apartamento. Nós marcamos de ir visitar, mas chegamos atrasados porque ficamos conversando com o cara de Recife. Na hora que nós tocamos os interfone, o cara que ia mostrar o outro apartamento (o da gorda) apareceu. Aí nos deixamos a mulher falando sozinha no interfone e subimos pro outro. Depois da sair do da gorda, disfarçamos um pouco e voltamos pra tocar o interfone de novo. Esse é o melhor, na minha opinião. Pertinho da univerisidade. Bem arrumado. E com preço bom. São 4 quartos. Um de 175, um de 180 e dois de 220 euros. Depende do tamanho. Mas são todos de um tamanho decente. Comparado ao que eu morava em Juiz de Fora, todos são enormes... rs!  E, como não poderia deixar de ser, tem os gastos à parte. Nenhum está alugado ainda. 

Isso, fora os que a gente foi na rua, mas não achou o número. Os que a gente ligou e não aceitam estrangeiros, ou só aceitam gente que vai morar por um ano, ou já estavam alugados..

O bom é que já conhecemos a região da universidade toda. E, se um dia eu precisar alugar um quarto ou apartamento e negociar em espanhol, já tô fera, neném!