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Papanamericano

Enquanto não começam as aulas e nós não conhecemos nossos coleguinhas de faculdade, as pessoas mais próximas de nós acabam sendo nossos coleguinhas de apartamento. O Andrey, um dos estudantes da UFJF que vieram pra cá, mora com dois italianos. E como nós, brasileiros, andamos muito juntos, acabamos conhecendo os italianos que moram com o Andrey. Enfim, dei essa volta toda para falar sobre uma outra coisa. 

Segundona brava. E aquelas músicas que você ouviu no final de semana ecoando na sua cabeça. Um dia escreverei um post, ou uma série de posts, só sobre as músicas que tocam aqui. Enquanto não fecho a lista, falarei sobre uma em especial.

Sabe aquela música que sempre toca no Pânico quando a Sabrina está em Ibiza (Ahhh.. Ibiza!)? O Papanameriacano? Pois é. Essa música está bombando por aqui. Nos carros, nas rádios, na rua... Toda hora toca. E sabe os italianos que eu falei no início do post? Eles nos disseram que a música original é uma canção napolitana (eles são de Nápole) bem antiga. Achei interessante. A gente escuta a música e nem imagina que há uma "história" por trás dela.

Procurei um vídeo no YouTube pra ilustrar. Tá aí a original:


A música que faz sucesso atualmente é um remix dessa canção. Pra quem ficou com vontade de ouvir a versão que toca no Pânico e nas baladas por aí, segue o vídeo:

Atravesse sem olhar

A organização do trânsito aqui é bem diferente. Não que o sinal verde seja para parar e o vermelho para seguir. Não. Digo no que diz respeito à relação entre os pedestres e os carros. No Brasil estamos acostumados a atravessar em qualquer parte da rua. A faixa de pedestres, na maioria das vezes, não representa muita coisa para os transeuntes. Mesmo que exista uma faixa dois metros a frente, nos embrenhamos no meio dos carros para atravessar. Outro costume é desrespeitar o sinal de pedestres.  Se não vem carro, pouco importa se o sinal está verde ou vermelho, atravessamos sem pestanejar.

Aqui não. Eles sempre atravessam na faixa. E respeitam o semáforo. A rua pode estar vazia. Nem sinal de automóveis. Eles param e esperam o sinal abrir. Mesmo que sejam 4h da manhã. A primeira vez que eu vivenciei uma situação semelhante, fiquei me perguntando "que diabos esses espanhóis tão esperando?". Cheguei a achar ridículo. Como assim ficar esperando o sinal abrir se não vem carro?

Reparem no canto direito que o sinal está vermelho. Mas não vinha carro nenhum e três pessoas estavam paradas esperando o sinal abrir


E tem mais. Às vezes eu confesso que não entendo a lógica da organização estabelecida, já que não foram poucas vezes em que eu fui atravessar e o sinal estava fechado para os pedestres, mas os carros também estavam parados (?). Então, ficávamos todos parados esperando nossos respectivos sinais abrirem.

Ainda não me acostumei com isso. Se não vem nenhum carro, eu atravesso. A não ser que muitos outros espanhóis estejam esperando. Digo isso, porque um dia o sinal estava fechado e tinha um senhor esperando para atravessar também. Como não vinha carro, eu fui. E o senhor chamou a minha atenção, acredita? Ainda assim tem alguns mais abusadinhos que não esperam o sinal abrir. Devem ser estrangeiros também.

Outra coisa que não estou acostumada é que os carros parem para que os pedestres atravessem. Você coloca o pé na faixa, o carro pára, mesmo que seja no meio da esquina. E isso é verdade. Não é história pra boi dormir não. Nós sempre ouvimos falar disso. Mas vivenciar é diferente. Como estamos habituados a outra realidade, é meio que um “choque”. Sempre que vou atravessar onde não tem sinal, páro para os carros passarem. E eles param que eu passe. É até engraçado.

Brinco que se eu dirigisse aqui, iria fazer boliche de pedestres, porque as pessoas às vezes nem olham. Vão atravessando. E como os motoristas brasileiros não estão acostumados a parar para os pedestres onde não tem sinal, seria um desastre. Na verdade eles estão certos. Mas eu ainda vou demorar um pouco pra incorporar essa cultura. E o problema maior vai ser quando eu chegar ao Brasil. Imagina eu atravessando a rua sem olhar?

A Sierra de Francia

Recebemos um presente no final de semana. Uma professora da Faculdade de Economia e Administração da UFJF está aqui fazendo doutorado. Como a Mylena faz administração, ficou sabendo disso e entrou em contato com ela. Afinal, brasileiro ajuda brasileiro.
Para a nossa surpresa, ela nos convidou para fazer um passeio pela região.

Visitamos a Sierra de Francia, que faz parte da Província de Salamanca. É um dos locais de maior tradição turística da província. É composta por vários povoados pequenininhos, mas com grande valor cultural, já que possui folclore, artesanato e gastronomia ricos. Sem falar das paísagens e da preservação da arquitetura medieval. São vários “pueblos”. Mas visitamos paenas dois: La Alberca e Miranda del Castañar.



Estivemos também em um dos pontos mais alto da serra, a Peña de Francia, com 1723m. No pico tem uma igreja e um antigo mosteiro. O local é ponto de peregrinação. No dia que nós fomos, uma excurssão de velhinhos estava fazendo uma visita.



Além de um mirante, onde está indicada a direção de várias cidades. Reza a lenda que nos dias mais claros é possível ver até Portugal (só esclarecendo, a região de Salamanca é bem próxima de Portugal. Não sei ao certo quantos quilômetros. Mas é pertinho mesmo). O local é conhecido como Parque Natural de las Batuecas.



A riqueza da arquitetura medieval, que permanece preservada, é impressionante. Vários becos, ruelas, muralhas, casas feitas de pedra e barro. Uma imersão na história.