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Bruxelas?

O que você sabe sobre Bruxelas?
a) Bruxelas?!
b) É um tipo de couve
c) É nome da bruxa de um conto de fadas
d) É a capital da Bélgica

Bom, antes de ir pra lá eu confesso que não sabia muito também não...
Resolvemos ir pra Bruxelas porque o plano inicial era ir pra Paris depois do Reveillon, que seria na Holanda. Mas a Mari, minha amiga brasileira que fez parte da viagem comigo, queria conhecer outros países. Então sugeri a Belgica, que tá no meio do caminho, entre Holanda e França. Não é o país mais famoso da Europa, mas como a gente ia ter que passar por lá mesmo, aproveitava e dava uma parada por ali pra conhecer.
Resultado: saímos de Den Haag de manhã. A intenção era pegar o trem das 9h. Mas o trem tinha sido cancelado, sei lá por que... Ficamos uma hora na estação esperando o próximo trem. Chegando na estação de Bruxelas, hora de caçar um locker pra deixar as malas/mochila. Depois de quinze minutos pra descobrir como o negócio funcionava, vimos que precisava de moedinhas pra colocar na máquina. Mas ninguém tinha o suficiente. Vai a Tainá trocar dinheiro. Fui na primeira coisa aberta que tinha na estação. E na hora de pedir pro moço? Qual idioma usar? Recorri ao meu francês instrumental I e II, mas a única frase que eu conseguia lembrar era "Je suis dans la piscine". Mandei um inglês mesmo e funcionou.
Mapa na mão, hora de cair na rua. Primeira parada, catedral. De lá, saímos perguntando na rua onde ficava o Palácio Real. O Palácio é lindo. Enooorme. Bem diferente do da Holanda. Fizemos gracinha e até subimos no muro pra tirar foto. Num tinha guardinha nem nada na porta...
Quase do lado do Palácio tinha um Museu do Cinema. Muito maneiro! Mariana ficou louca lá. Depois fomos atrás do "menino fazendo xixi". É uma estátua muito famosa e que todo mundo falava que a gente tinha que ir ver. Mas a tal da estátua é quase uma Monalisa. Agente chega esperando um negócio e quando vê, o menino é quase uma miniatura. E é tanto turista na frente que quase não dá pra enxergar.

Onde está o "menino fazendo xixi"?



 Como a gente tava perto, fomos pro square/plaza mayor/praça central, ou o nome que você quiser dar. LIN-DO! Só vendo pra entender.

A essa altura nosso tempo já tava curto e ainda tinha a basílica, os prédios da União Européia e o Átomo pra visitar. E pra todos os lugares tinha que pegar metrô pra chegar. Resolvemos não ir em lugar nenhum e procurar um supermercado pra comprar chocolates e cervejas belgas, as especialidades da casa. Rodamos, rodamos, rodamos... Pedimos informação, em inglês, claro. Aí o negócio já ficou meio ruim. Uns inglês com sotaque mega carregado, que na metade da frase eu não sabia se era inglês mesmo ou se era francês. E o melhor de tudo: parei um moço e pedi informação ele começou a responder em francês! Achei que só na França tinha dessas coisas. Mas eu pensei, meu francês instrumental I e II não serve muito pra falar, mas acho que dá pra entender. Quem disse? Só entendi os "droit" e os "gauche". Depois de quase perder as esperanças, achamos um supermercado. Aí deu a louca, né?! Saímos limpando as prateleiras. Parecia que nunca tinha visto chocolate nem cerveja na vida. E na hora de ir embora, pra carregar aquela sacolaiada, faltando 30 minutos pro ônibus pra Paris sair? Na hora de comprar a gente não pensou que ia ficar pesado. E a gente ainda tinha que pegar as malas na estação e descobrir como fazia pra chegar na rodoviária.
Três loucas correndo por Bruxelas. Pegamos a as malas e fomos pro metrô. E pra entender o metrô de Bruxelas? Até o da Rússia eu entendi mais fácil. Não dava pra perder tempo. Faltavam 15 minutos pro ônibus sair. Saímos atrás de um táxi. Não tinha nenhum táxi na porta da estação. Seguimos as placas até achar um ponto. Aí o moço foi ótimo. Perguntou pra onde a gente ia, qual era a empresa e deixou a gente do lado do ônibus. Parece que os terminais são separados por empresa. Nossa sorte! Chegando na porta do ônibus, o moço não deixou a gente entrar. Falou que não podia e mostrou um cartãozinho. Mas eu não tinha cartãozinho. Tinha só a passagem que eu imprimi da internet. Mostrei pra ele e nada do moço deixar a gente entrar. Só ficava apontando pro outro lado. Mas do outro lado não tinha ônibus! E eu falava "Paris?" e ele balançava a cabeça que sim. Mostrava todos os ônibus que tinha atrás e apontava pro outro lado, onde não tinha ônibus. Até entender que tinha que fazer check in, foi um custo. Saímos correndo pro "outro lado" e deixamos a Cacau vigiando o ônibus pra não deixar ele sair.O moço deu pra gente um papel como número nosso ônibus. É que tinha um monte de ônibus indo pra Paris também e a gente tinha que passar no guichê antes pra saber qual era o nosso. Até entender isso, quase que a gente fica pra trás.
Entramos no ônibus. Ufa! Conseguimos. Vamos pra Paris!

Detalhe: muita gente me perguntou "o que você vai fazer em Bruxelas? Num tem nada lá". Mas eu gostei muito mais de lá que de muita cidade mais famosa. Recomendo!

Primeira parada: Holanda

Primeiro destino da aventura: Holanda, Netherlands, Países Baixos, ou o nome que você quiser dar. Um sonho, né?! Ir pra Holanda. Amsterdam! A gente ouve tanto falar... E teve aquela novela da Nanda e da menininha que repetia toda hora "moça bonita", que uma parte foi na Holanda e era tudo tão lindo. Andar de bicicleta. Ver aquelas tulipas coloridas. Os moinhos. Aquelas meninas loirinhas, de trancinha, com aquelas roupas típicas e sapato de madeira...
Mas a quebra de expectativa começou logo quando o avião tava pousando. Me bateu um desespero! Não. Não teve nenhum problema na aterrisagem. O desespero foi de olhar pela janela e ver TUDO branco [com umas árvores pretas, sem folha -lógico- só pra não ficar muito monótono].
Ok. Eu sabia que era inverno. Já tinha visto neve até aqui na Espanha. E teve todo aquele problema com a neve e os atrasos de vôo e caos nos aeroportos...
Mas sabe quando você não tá esperando? Quando você não ligou o nome à pessoa? Por mais que eu soubesse que teria muita neve, a imagem da Holanda que eu tinha na minha cabeça ainda eram aquelas cenas lindas da novela, as tulipas coloridas, os moinhos... Deu vontade de chorar! Sério. Num queria nem sair do avião. Mas já tava lá, né?!
Amsterdam é uma cidade com muitas atrações. Muitas mesmo. Desde a Casa da Anne Frank e o museu do Van Gogh [mas tem também museu do sexo, da maconha...], ao Red Light District e todas aquelas garotas se exibindo nas vitrines. Muitos contrastes. Mas, mais do que qualquer coisa, o que mais tem naquela cidade é turista. Nem em Paris eu acho que tinha tanto. A vantagem é que todo mundo fala inglês em todos os lugares. Facilita muito a nossa vida.
O centro é um pequeno-grande-caos. Muita gente, bicicleta, trem, carro. Tudo misturado. Tinha hora que eu achava que tava na Índia. Pra completar o cenário só faltavam os elefantes no trânsito.
Confesso que foi uma pequena decepção. Acho que se eu tivesse ido no verão, ou na primavera [ah! as tulipas...], sem toda aquela neve, que àquela altura já estava suja, derretendo e virando lama, eu teria gostado muito mais. Não que eu tenha desgostado. Mas é que não atendeu às expectativas de uma Amsterdam colorida e com sol que eu tinha na minha cabeça.

Palamento holandês em Den Haag

Quanto ao país em geral, fui muito bem recebida, principalmente pela Bryley [a australiana/holandesa/inglesa que me hospedou] e toda a sua família, que moram em Den Haag, a cidade da rainha. Vale a pena conhecer. E fica bem pertinho de Amsterdam. Dependendo da época do ano que você for, pode presenciar um verdadeiro conto de fadas, com direito a carruagem dourada e realeza desfilando pelas ruas. Outra cidade que visitamos foi Utrecht. Uma Amsterdam em miniatura, sem tantos turistas e tantos caos. Mas com todo o charme da capital. Confesso que gostei mais.
Ah! E se for à Holanda, não deixe de experimentar a "batata no cone". Especialidade da casa. Muito bom!
Por fim, um agradecimento especial à Mariana Pena, Cacau Pena, Mascha Alexandrova e Bryley Jackson, que foram minhas companheiras de aventura!

Tudo cabe dentro de uma mochila

Sim. Eu sumi. Mas num foi só daqui não. Eu sumi no mundo mesmo. Foram 20 dias ininterruptos viajando. Se contar o Natal em Portugal, dá quase um mês. E nesse tempo todo, tudo o que eu precisava coube dentro de uma mochila de 40 litros. E olha que era inverno e roupas de inverno ocupam muito espaço.
Uma grande e prática lição de desapego às coisas materiais. Você só leva o que realmente vai precisar. E só compra o que é realmente necessário ou o que você realmente quer.
Se eu pude sobreviver 20 dias só com as coisas que estavam dentro da minha mochila, por que não seria possível viver um mês? Um ano? Ou até o resto da vida? Lógico que a minha bota, por exemplo, voltou arregaçada e meu casaco branco nunca mais vai ser branco. Mas isso a gente pode ir substituindo no caminho. Eu não preciso de 20 casacos e 30 pares de sapato. Um de cada já resolve o meu problema. Tudo bem que eu tô com praticamente a mesma roupa em todas as fotos. Mas e daí? O importante são os lugares que eu fui, as histórias pra contar, as experiências e as coisas que eu aprendi. Comparado a isso, a roupa que eu estava usando não é nada.
Antes de ir eu estava com muito medo. Medo de alguma coisa dar errado, de eu ficar morrendo de vontade de voltar pra casa... O índice VDM [Vai Dar Merda] era muito grande. Eram muitos aeroportos, trens, cidades e pessoas diferentes. Lógico que alguma coisa ia dar errado. E de fato nem tudo saiu exatamente como planejado. Mas deu tudo certo. No fim das contas conseguir ir a todos os lugares planejados. E era tanta novidade, tantos lugares incríveis e pessoas legais, que não fiquei com vontade de voltar pra casa [de Salamanca. Não a minha casa de verdade, no Brasil]. E o mais importante, minha saúde permaneceu em perfeito estado, mesmo com a alimentação por vezes inadequada e dias inteiros andando no frio, na neve ou na chuva.
Foram 7 países [sei lá quantas cidades...], 8 aeroportos, 10 estações de trem e 4 rodoviárias. Isso sem contar as inúmeras viagens de metrô e ônibus urbano e os muitos quilômetros andados à pé, com ou sem a mochila nas costas. Lugares incríveis. Línguas ininteligíveis. Perrengues. Aventuras e histórias pra contar.
Voltei com a sensação de que pode me soltar em qualquer lugar do mundo que eu me viro. Descobri que eu sou mais esperta do que eu pensava. Que o mundo nem é tão grande assim. E que eu poderia passar o resto da minha vida viajando. Eu e minha mochila.


Trem de Chocen [Rep. Tcheca] pra Berlin

Em breve volto com alguns causossos e impressões.