Sétimo andar
Postado por
Tainá Costa
on segunda-feira, 31 de maio de 2010
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Era uma segunda-feira. Já havia passado da hora de sair para ir trabalhar. Eram 7h50 da manhã. Apertou o botão do elevador. Estava na portaria. Até chegar no décimo andar ia demroar um pouco. Era um elevador desses antigos e bem lentos. A síndica deu uma "ajeitadinha", colocou espelho e tudo mais. Mas a velocidade continuava a mesma. A porta se abriu a sua frente. Entrou e apertou o "P". Torceu para descer rápido, sem parar em nenhum andar. Principalmente no sétimo. Lá morava um casal de velhinhos. A mulher precisava de cadeira de rodas e todas as vezes que eles tinham que usar o elevador, a viagem acabava demorando um pouco mais. Parou. Oitavo andar. Um senhor entrou. Ele sempre fazia caminhada de manhã. Há algum tempo já havia reparado que todos os dias o senhor estava com a mesma roupa. Mas isso não era da sua conta. "Bom dia!". "Bom dia!". Um solavanco. O elevador parou de novo. Agora, no sétimo andar. O elevador poderia parar em qualquer andar menos naquele. Mas ainda havia a esperança de ser outro morador. Não. Era o casal. Contabilizando o acréscimo de tempo que a entrada dos dois traria - eram poucos segundos, é verdade. Mas que fariam diferença - teve certeza de que perderia o ônibus. Passou da ansiedade ao conformismo, já que não havia mais o que pudesse ser feito. Se atrasaria. Era fato. Se encostou na parede do elevador e começou a prestar atenção na conversa dos senhores. Ao ser perguntado se estava tudo bem, o marido da senhora da cadeira de rodas respondeu que não. Olhou para a mulher e balançou a cabeça. Descobriu naquela conversa que a senhora tinha Alzheimer. O homem começou a falar das dificuldades. Chegou a dizer que era melhor que ela dencançasse. Foi um choque. Não imaginou que o senhor fosse falar aquilo. Mas ele devia ter seus motivos. O elevador chegou . Saiu sem se despedir. Até porque a cena que presenciou tinha sido pesada o suficiente para uma segunda de manhã. Por sorte o ônibus também estava atrasado. Quandio chegou ao ponto ainda conseguiu pegar. Passou a viagem pensando no que ouviu. E se culpou por ter reclamado mentalmente da parada do elevador no sétimo andar. Ao fim do dia, quando chegava em casa, viu uma ambulância parada na porta do prédio. Na portaria, enquanto esperava o elevador, descobriu que o mesmo nunca mais demoraria no sétimo andar.
Formidável Família Musical
Postado por
Tainá Costa
on sábado, 22 de maio de 2010
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Hoje vou falar um pouquinho de uma banda baiana chamada Formidável Família Musical. Não. Não é banda de axé. Eles misturam um pouco da MPB dos anos 70, com canções pop do início do século 21. O grupo tem como base o "Conceito Flower". O resiltado é o que a banda define como músicas alto-astral, alegres.
Se levarmos em conta apenas o ritmo, realmente as músicas são bem alegres e dançantes. Mas se repararmos nas letras, observamos um "quê" de melancolia. Nada desbone o trabalho dos rapazes. Aliás, a combinação de melodias pra cima com letras, na minha opinião, mais reflexivas, deu certo.
Como dizem por aí, é música para acordar cedo e seguir o dia com um sorriso estampado na cara.
Confira uma das mais, de fato, alegres: Bom Dia Amor
Se levarmos em conta apenas o ritmo, realmente as músicas são bem alegres e dançantes. Mas se repararmos nas letras, observamos um "quê" de melancolia. Nada desbone o trabalho dos rapazes. Aliás, a combinação de melodias pra cima com letras, na minha opinião, mais reflexivas, deu certo.
Como dizem por aí, é música para acordar cedo e seguir o dia com um sorriso estampado na cara.
Confira uma das mais, de fato, alegres: Bom Dia Amor
A bomba que explodiu na mão do Lula
Postado por
Tainá Costa
on quarta-feira, 19 de maio de 2010
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bomba atômica,
crítica jornalística,
Lula,
Turquia
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Antes de mais nada, uma breve introdução ao fato que será abordado na coluna de hoje:
"O Irã concordou em enviar urânio para ser enriquecido no exterior, como parte de um acordo negociado em Teerã entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan."
Leia aqui o restante da matéria publicada no site da BBC.
Com o perdão da piada, mas quem assistiu ao Jornal da Globo ontem, mais especificamente à crítica do Jabour, ficou com uma impressão de que o Lula misturou Activia com Urânio e fez uma cagada atômica!
Assista aqui ao vídeo do comentário.
Tudo bem que o discurso do Jabour pode até ter um fundo de verdade. Mas a imagem do Lula [e do Brasil] não ficou tão manchada quanto pareceu. Prova disso são as matérias publicadas nos sites dos jornais Le Monde e El País.
A matéria do Le Monde começa dizendo que
"os países emergentes do Sul já tinham feito um grande impacto no cenário internacional em áreas como o ambiente ou o comércio. Esta semana marca um novo passo na ascensão desses países"
E emenda em seguida:
"Os livros de história vão lembrar dessa data, segunda-feira, 17 maio, na qual o Brasil e a Turquia chegaram a propor um acordo de negociação com Teerã, na questão nuclear iraniana."
O texto, uma coluna opinativa, deixa bem claro que o que o presidente Lula fez não foi uma burrada. Fica evidente que o Brasil e a Turquia querem fazer parte do G5+1 e que as ambições políticas do Sul são legítimas. "Eles devem ser recebidos de forma positiva" diz a coluna. Ainda assim é feita uma ressalva sobre a questão iraniana. O G5+1 cautelosamente saudou a iniciativa turco-brasileiro como "um passo na direção certa." No entanto, para mostrar a sua desconfiança eles chegaram a um acordo para impor novas sanções contra a República Islâmica.
Como se pode ver, o reflexo do acordo na comunidade internacional não foi tão tragico assim.
Vale lembrar que não sou petista. Não pretendo votar na Dilma. E não estou fazendo campanha pra ninguém. Este artigo é apenas uma constatação a partir da comparação das informações divulgadas no Brasil e no exterior.
Se é que tem alguém fazendo campanha, não é a favor, mas contra. Fiquem de olho. As eleições estão aí.
"O Irã concordou em enviar urânio para ser enriquecido no exterior, como parte de um acordo negociado em Teerã entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan."
Leia aqui o restante da matéria publicada no site da BBC.
Com o perdão da piada, mas quem assistiu ao Jornal da Globo ontem, mais especificamente à crítica do Jabour, ficou com uma impressão de que o Lula misturou Activia com Urânio e fez uma cagada atômica!
Assista aqui ao vídeo do comentário.
Tudo bem que o discurso do Jabour pode até ter um fundo de verdade. Mas a imagem do Lula [e do Brasil] não ficou tão manchada quanto pareceu. Prova disso são as matérias publicadas nos sites dos jornais Le Monde e El País.
Primeiro Ministro Turco e Lula
A matéria do Le Monde começa dizendo que
"os países emergentes do Sul já tinham feito um grande impacto no cenário internacional em áreas como o ambiente ou o comércio. Esta semana marca um novo passo na ascensão desses países"
E emenda em seguida:
"Os livros de história vão lembrar dessa data, segunda-feira, 17 maio, na qual o Brasil e a Turquia chegaram a propor um acordo de negociação com Teerã, na questão nuclear iraniana."
O texto, uma coluna opinativa, deixa bem claro que o que o presidente Lula fez não foi uma burrada. Fica evidente que o Brasil e a Turquia querem fazer parte do G5+1 e que as ambições políticas do Sul são legítimas. "Eles devem ser recebidos de forma positiva" diz a coluna. Ainda assim é feita uma ressalva sobre a questão iraniana. O G5+1 cautelosamente saudou a iniciativa turco-brasileiro como "um passo na direção certa." No entanto, para mostrar a sua desconfiança eles chegaram a um acordo para impor novas sanções contra a República Islâmica.
O artigo afirma que a atitude foi acertada, mas em momento nenhum desqualifica a tentativa de solucionar o problema por meio do acordo firmado
através do Brasil e da Turquia
No El País não é diferente.
"Brasil e Turquia estão determinados a provar que quem manda no mundo não são mais as potências que emergiram após a Segunda Guerra Mundial e que o Conselho de Segurança da ONU ficou pequeno."
"Brasil e Turquia estão determinados a provar que quem manda no mundo não são mais as potências que emergiram após a Segunda Guerra Mundial e que o Conselho de Segurança da ONU ficou pequeno."
A matéria trouxe ainda a fala do presidente francês, Nicolas Sarkozy, que diz reconhecer os esforços do Brasil para chegar a um acordo com o Irã sobre seu programa atômico e qualificou como um passo positivo o pacto alcançado.
Ainda assim, fez uma ressalva: se o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, não cumpre a sua parte do acordo, o Brasil pode perder muitos pontos na disputa para conseguir uma cadeira permanente no Conselho de Segurança. Seria também um momento ruim para a Turquia, que é colocada como o principal mediador no Oriente Médio, apesar dos contratempos que teve com o Governo de Israel.
E o mais interessante:
"Os dois países também defendem uma solução diplomática para a crise iraniana, porque eles querem deixar a porta aberta para o desenvolvimento de seus próprios planos atômicos para fins civis."
E o mais interessante:
"Os dois países também defendem uma solução diplomática para a crise iraniana, porque eles querem deixar a porta aberta para o desenvolvimento de seus próprios planos atômicos para fins civis."
Como se pode ver, o reflexo do acordo na comunidade internacional não foi tão tragico assim.
Vale lembrar que não sou petista. Não pretendo votar na Dilma. E não estou fazendo campanha pra ninguém. Este artigo é apenas uma constatação a partir da comparação das informações divulgadas no Brasil e no exterior.



