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Você já ouviu falar de Warszawa e Wien


Pra vocês verem como são as coisas... Há algum tempo venho travando uma batalha a procura de passagens baratas para viajar pela Europa. Inclusive já fiz um post sobre o assunto. E durante a busca eu esbarrei em alguns problemas. Um deles, talvez o mais improvável e inusitado, foi o nome das cidades e dos países. Quando eu clicava na listinha de destinos apareciam tantos lugares que NUNCA tinha ouvido falar na vida [e que tinham aeroporto internacional], que eu me sentia muito ignorante. Mas eram muitos mesmo.

Segue o meu raciocínio: você está procurando passagens e vê na lista de destinos as seguintes cidades: Warszawa e Wien. Além de um país chamado Osterreich e outro chamado Magyarország. Aí você pensa: "devia ter estudado mais geografia! Nunca ouvi falar desses lugares". Mas como você está muito ocupada pra matar a curiosidade e procurar onde ficam esses lugares, continua a sua busca por destinos. E entre as possibilidades para um trajeto mais barato, estão Varsóvia e Viena. Mas por razões até então desconhecidas as benditas cidades quase nunca apareciam nas listas das companhias aéreas.

Foi então que, depois de dois dias procurando, resolvi consultar um mapa pra saber onde ficava aquela quantidade de cidade com nomes estranhos. Simplesmente descobri que as cidades citadas são respectivamente Varsóvia e Viena. E que os países são Áustria e Hungria...
[PALAVRÃO - o que você quiser, o que melhor se adequar ao contexto (isso é que é interatividade com o leitor!)]


Não sei descrever o que eu senti naquele momento. Caralho! Eu passei horas na frente do computador procurando um jeito barato de realizar o trajeto e, de repente, descubro que o que eu estava procurando estava ali. Só que com outro nome. E que nome! Quando, na minha vida, eu ia imaginar que Warszawa é Varsóvia, gente? Agora que eu já sei, eu até consigo achar uma semelhança [bem de longe]. Mas antes, nem no meu alto estado etílico, amiguinhos.

Agora eu me pergunto: quem foi a pessoa inteligente que resolveu mudar tão drasticamente o nome das cidades e dos países? Brasil com Z e Brasil S dá pra identificar tranquilo. Mas de Warszawa pra Varsóvia vamo combinar que alteraram a essência do nome. Por isso, eu acho que deveria haver um padrão internacional de nomes de países. E na escola deveriam ensinar esse padrão. Eu já tava me achando mega ignorante em geografia porque nunca tinha ouvido falar de um país chamado Magyarország.

Outro exemplo é a Holanda. Quer confusão maior? Holanda, Netherlands, Países Baixos. Juro que eu demorei a entender que Holanda e Países Baixos eram a mesma coisa. Pra mim Países Baixos eram vários países, tipo Escandinávia. E não um só. E Netherlands? Eu só sei que é Holanda por causa do álbum de figurinhas da copa.

É amigos, cada dia uma nova surpresa. Cada dia uma nova descoberta...

O gás

Quando o gás da sua casa acaba o que você faz?
Vai lá na porta da geladeira, procura no meio dos ímãs com telefone de tele-entrega de pizza; hamburguer; galão de água; o que tem formato de coqueiro, que a sua tia trouxe de lembrança de Fortaleza; o que o seu irmão fez na escola pra dar pra sua mãe de presente de Dia das Mães e aquele com formato de vaca, que faz "MUUUUU" se você aperta, que sua mãe comprou no auge da Ana Maria Braga na Record [mas que não faz "MUUUUU" mais porque já estragou], aquele com formato de botijãozinho, que tem o telefone do tele-gás, certo?! Aí você liga e pede pra entregarem na sua casa. Em no máximo duas horas o entregador toca a campainha, entra, tira o botijão vazio, coloca o cheio, pega o dinheiro e vai embora. Pronto! Você já pode usar o seu fogão normalmente.
Mas se engana quem pensa que é fácil assim em todos os lugares do mundo. Vou contar pra vocês o drama de quatro estudantes estrangeiras na Espanha. Tudo começou no sábado à tarde. Estávamos felizes cozinhando nosso almoço, quando de repente, o fogo começa a ficar fraco. Fraco, fraco. Fiquei na peleja alguns minutos, mas desisti. A comida já estava num ponto comível. Então desliguei o fogão e fui almoçar.
À noite, horário que as belgas fazem a refeição delas [elas não almoçam], eis que se ouvem gargalhadas na cozinha. Até aí nada de anormal, já que elas são muito felizes. Até que uma das Charlottes vem até a mim e pergunta se o gás tinha acabado. Eu disse que achava que sim, porque o fogo tava fraco a hora que eu fiz meu almoço. Aí ela perguntou como proceder. Eu logo pensei no imã de geladeira em formato de botijão. Mas aqui eles não têm imã de geladeira em formato botijão. Mas antes de chegar a essa conclusão pensei: "será que na Bélgica não tem tele-gás? Como eles fazem?".
Depois de algumas divagações mentais, lembrei que a dona do apartamento tinha deixado um papel com o nome da empresa que distribui as "bombonas de butano". Procurei o bendito do papel. Quando achei, tinha um número de telefone esquisito. Olhando melhor, percebemos que tinha uma data e que essa data era de 1900 e Guaraná de rolha. Descartamos. Então procuramos no catálogo. Mas como era final de semana, e para os Espanhóis o descanso é sagrado, deixamos pra ligar na segunda-feira. Enquanto isso viveríamos de lasanha de microondas.
Chegou segunda-feira. Tentamos ligar nos números do catálogo. Não atendiam. Estava na hora da siesta [outra divagação: pensa bem. Pra você descobrir que não tem gás, você tem que estar usando ou tentando usar o gás, certo? E qual a hora mais comum para se usar o gás? A hora do almoço, correto? Por isso, vai dando 11h, 11h30, você já ouve ao longe a musiquinha do caminhão de gás no Brasil, de acordo? Agora me explica como as distribuídoras de gás fecham na hora do almoço, gente?]. Os que atendiam diziam que não faziam entrega [todo mundo tem carro na Espanha, pra ir buscar o botijão?].
Pensamos em perguntar pra vizinha. Mas estava na hora da siesta [jamais toque a campainha na casa de espanhol na hora da siesta]. Resolvemos deixar pra mais tarde.
Chegou "mais tarde". Tocamos. Explicamos a situação e a mulher nos deu um número desses pra pedir informações. Ligando pra lá eles nos forneceriam. Só tinha um detalhe: o número só recebe chamada de telefones fixos e aqui em casa nós só temos celular. Isso já era segunda à noite.
Aí apelamos pra todos os recursos. Até no Facebook eu postei, perguntando se alguém sabia um número que a gente poderia ligar. Conseguimos um número que a gente ainda não tinha tentado. Mas já era terça-feira à noite...
Na quarta de manhã, outra tentativa. Agora sim! Deu certo. Mas eles só poderiam entregar no dia seguinte. É. Na Espanha eles são muito tranquilos. Depois de vários dias comendo lasanha de microondas, procurei uma receita na internet e fiz um macarrão de microondas, pra variar um pouco. Por incrível que pareça, ficou bom.
No dia seguinte, cheguei em casa na certeza de que poderia cozinhar. Mas me deram a notícia de que o cara chegou super mal humorado, colocou o botijão e já ia saindo sem "conectar" na mangueirinha. Aí pediram pra ele "instalar". Ele disse que não era função dele, que ele já tinha explicado mil vezes, fez uma demonstração rápida, pegou o dinheiro e foi embora. E largou o botijão sem instalar. E nenhuma de nós quatro sabia como fazer [as belgas não sabiam nem que tinha que ligar pra pedir um botijão!]. As meninas tentaram, mas o fogo não acendia. Ao que tudo indicava não estava vazando. Mas era melhor pedir pra alguém com "experiência" pra fazer pra gente, né?! Batemos no vizinho da frente, mas ele não estava..
Quando já tínhamos perdido as esperanças de almoçar, a campainha toca. Olhei no olho mágico. Não era a moça, Testemunha de Jeová, que sempre bate no nosso apartamento [toda vez que a campainha toca achamos que é ela]. Era o vizinho! Como se fosse a coisa mais simples do mundo, ele tirou o treco [sei lá como chama aquilo] e encaixou de novo no botijão. Testamos e deu certo!
Ufa! Depois de quase uma semana, podemos voltar a comer "decentemente".
E nada de lasanha de microondas por um bom tempo.


La Bombona!


*Anote este número: 923 222 200. Se você morar em Salamanca, ele poderá ser muito útil.

Então é Natal


É chegado o momento do ano no qual todos os estudantes intercambistas ficam loucos, alvoroçados, inquietos e ansiosos. O motivo? Não. Não são as provas finais [que muitas vezes também são iniciais. É que a maioria dos professores só dá uma prova no semestre!]. O motivo são as mini-férias de final de ano, que dão uma folguinha pra gente no Natal e no Ano Novo.

A maioria dos brasileiros, pra não dizer todos, vai passar as festividades longe de casa, já que o preço da passagem pro Brasil é um absurdo. Então, salvo exceções, não compensa pagar essa fortuna pra passar, sei lá, 10 dias em casa e depois voltar pra cá, pra um mês depois voltar pro Brasil de novo. Melhor usar esse dinheiro pra conhecer a Europa, né não? É aquela coisa, a nossa casa vai estar sempre lá. Nós sabemos que vamos voltar. Sabemos até a data! Mas a Europa... Sabe lá Deus quando, e se, eu vou voltar ao Velho Continente.

Bom, mas essa volta toda é pra falar da odisséia que é planejar uma viagem, comprar as passagens e reservar lugar pra ficar. No início você está super empolgado. Uhul, vou fazer um mochilão pela Europa!!! Aí faz uma listinha com todos os lugares que você quer conhecer e descobre que se seguir esse planejamento você vai visitar 30 países em 15 dias! Não dá, né?! Aí começa a cortar e deixar só os que você quer MUITO conhecer. Sobram um 12. É, ainda é muito. Aí você passa a outro critério: onde eu vou passar o Natal e o Ano Novo? É amigos, a gente vai estar viajando. Super legal! Imagina passar o Natal em Paris? Agora imagina passar o Natal em Paris sozinho. Não rola, né?! Então começa a caça por um destino. Aí vão mil mensagens no Facebook, e-mails, conversas do Skype até descobrir pra onde a galera tá indo. De preferência os brasileiros, com os quais é mais fácil estabelecer uma comunicação eficaz, eficiente e efetiva. Imagina você no Natal conversando com um alemão e ele com um dicionário na mão procurando como se fala Papai Noel em espanhol pra fazer uma piadinha?


Decidido isso fica mais fácil estabelecer onde a viagem começa e consequentemente os próximos destinos. Aí vem a parte crucial: procurar preço de passagem. Todo mundo fala que viajar pela Europa é super barato. Que trem é barato, avião é barato. Bom, se comparado ao Brasil por exemplo... Eu gasto R$200,00 de passagem de ÔNIBUS toda vez eu vou pra casa. Por esse mesmo valor é possível comprar uma passagem DE IDA pra algum país da Europa em companhias aéreas low cost. Às vezes dá pra comprar até ida e volta se a promoção for boa. Quanto aos trens, bom, existem uns passes pra conhecer x países em x dias que são interessantes. Ou então viajar durante a noite. Ou ainda, no Leste Europeu, viajar na terceira classe durante a noite [#medo]. E tem os ônibus também. Dependendo do seu destino, por exemplo da região que eu estou na Espanha pra Portugal, compensa muito. Fora isso, todas as passagens que eu olhei eram mega caras. 
Aí você procura e encontra passagens com preço bom, albergue com preço bom e fica super feliz! O problema quando você junta tudo e vê quanto vai dar no final... Um pequena fortuna. Hora de cortar mais alguns destinos. No final, dos 30 países, você acaba conhecendo uns quatro. E às vezes nem são os que você mais queria conhecer. Mas levando em conta fatores como preço e "onde a galera vai" é o que tem pra hoje.
  
Depois de toda essa divagação, vamos à parte prática. Seguem alguns links importantes:

http://www.flylowcostairlines.org

O primeiro é de um rastreador de copanhias aéreas low cost. Muito útil. Você coloca o local de partida e o local de chegada e ele te dá uma lista das companhias aéreas low cost que fazer o trajeto.

Os outros são de comparação de preço de vôos. Vale a pena dar uma olhada nos preços que eles colocam. Mas outro dia fui comprar por um deses sites e cheguei a conclusão de que fica mais caro que comprar pelo site da propria companhia aérea. Eles te dão um descontinho de uns cinco ou dez euros pra te enganar, mas depois caem matando nas taxas de sei lá o que, e acaba ficando mais caro que comprar direto. Então só é bom pra saber qual voo tem preço mais barato e depois ir no site da companhia pra comprar. É bom ver em vários sites, porque alguns não rastreiam uns voos que outros rastream. E na hora de comprar, se for pagar com cartão de credito, o preço sempre aumenta um pouco. Pelo que eu vi até hoje, o ideal é comprar com Visa Electron, que nao paga nada de taxa. Mas precisa ter dinheiro na conta. As outras opções, como crédito e débito, aumentam entre dez a quinze euros o preço da passagem. 

Então tem que  fazer o seguinte: achou uma passagem mega barata em algum desses sites de comparação? Faz como se você estivesse comprando. Vai preenchendo o que eles pedem até chegar no momento de pagar. Porque é nessa hora que você vê o preço de verdade da passagem. Na hora de pagar, eles colocam mil taxas de mil coisas, que às vezes as taxas ficam mais caras que a propria passagem. Depois vai no site da companhia aérea, procura o mesmo voo e repete o procedimento até chegar a hora de pagar e vê se o preço é o mesmo. Eu, particularmente, acho mais seguro [e barato] comprar pelo site da própria companhia. 
É um grande exercício de paciência e força de vontade. Principalmente se você já tiver buscado em todos os sites e a passagem for realmente cara. Aí é tentar partir pra rotas alternativas com escalas e troca companhia.

Chega, né?! Depois eu volto pra falar da reserva de albergue.