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Aceita um copo de água da torneira?

*Atenção, crianças, não façam isso em casa!

"Aceita um copo de água da torneira?". É assim que recebemos visitas aqui em casa. Isso mesmo, se algum dia você vier à minha casa, aqui em Salamanca, o que eu vou te oferecer é um copo de água da torneira. Qualquer pessoa, de amigos a inimigos. E de maneira alguma minha intenção é que o visitante tenha uma dor de barriga ou  se encha de vermes. É que aqui a água da torneira é potável.


Você deve estar pensando "Ahh... Mas mesmo assim eu não teria coragem de beber". Realmente, beber água da torneira não é a coisa mais normal pra mim. Bom, mas eu aderi à prática. Até porque não dava pra passar seis meses comprando água, sendo que é só abrir a torneira e voilà, habemus água potável! [fiz uma mistureba de idiomas, né?! É mais ou menos assim que tá o meu cérebro. Cada palavra da frase sai numa língua]. Ainda mais depois que a Maria Jesus [leia-se "Resus"], dona do apartamento que moramos, fez uma linda demonstração, abrindo a torneira, enchendo o copo e bebendo tudo numa única golada. Só pra gente acreditar que podia beber mesmo.

Olha que prático! Imagina você acordando com aquela ressaca. Você vai tomar um banho gelado, e aproveita pra beber uma água geladinha. Só abrir a boca em direção ao chuveiro.

[mais um costume que eu não posso levar quando voltar pro Brasil. Em uma semana vou ter uma quantidade de vermes tão variada quanto a fauna brasileira]

Ferias y Fiestas

De 7 a 15 de setembro Salamanca esteve em festa (ainda está, né?! Faltam algumas horas pra terminar). O que eles chamam de Ferias y Fiestas. O motivo? O aniversário da cidade, que é comemorado no dia 8 de setembro. Como os espanhóis são um povo bem animado, as festividades duram nove dias! Na verdade, parece que as festas de férias são uma tradição aqui na Espanha, já que vários povoados que nós visitamos, quando fomos à Sierra de Francia, também estavam em festa. Acho até que a Élida (professora que nos levou para conhecer a serra) comentou algo a respeito.

Pra ilustrar melhor como funciona, posso dizer que é tipo uma festa junina, com bandeirolas, barraquinhas, música e comidas típicas. Aqui eles chamam as barraquinhas de "casetas". Nelas são vendidas iguarías típicas da Espanha, os chamados "pinchos", que normalmente são combinadas com uma bebida. Tudo isso por uma módica quantia que varia de 1,80 a 2,40 euros.



Cada bararquinha é especializada em um tipo de "pincho". Eu experimentei uns cinco diferentes. Pena não ter tirado fotos. Um de jamon, que é pernil de porco preparado de uma maneira especial (um dia escreverei só sobre o jamom) à carbonara, muito bom. Um de chorizo. Não! Não é chouriço. É de porco também. Mas é tipo uma linguiça, com um gosto muito forte, mas bom também. Um de patatas bravas. Que são batatas fritas cortada em cubinhos com um molho parecido com molho rosé, só que apimentado, que era uma delícia. E os mais interessantes e que eu não lembro o nome. Um deles era um bifinho de carne, temperada com cury e mais um monte de coisa que eu não entendi o que era (a gente sempre perguntava do que era feito antes de pedir, porque pelo nome nem sempre dava pra adivinhar), numa fatia de pão com molho de tomate. Segundo o moço que nos atendeu, é uma comida típica do Marrocos (a Espanha tem uma ligação muito forte com o Marrocos. Mas sobre isso eu falo uma outra hora também). O outro foi o mais estranho. Era tipo esse do Marrocos: um pão com uma carne. Só que o molho era doce. E a carne era de cabeça de porco! Isso mesmo, amiguinhos! A gente come o pé e as orelhas na feijoada. Por que eles não podem comer a cabeça?

Agora falando um pouco sobre as bebidas de acompanhamento. Era possível escolher entre água, refrigerante, vinho, sangria, "ceveza", "caña" e "calara". Não me pergunte a diferença de "ceveza" pra "caña", porque pra mim é a mesma coisa. Um dia ainda peço pra alguém me explicar. Já a clara é "ceveza" (ou "canã". Já disse que não sei diferenciar...) com água gasosa (eca!). Não experimentei. Mas não deve ser muito bom...

A cidade fica cheia de "casetas". A cada esquina que você dobra, encontra um grupinho de barraquinhas. E elas abrem mais ou menos na hora da almoço. Aí a galera dá uma passadinha antes de ir pra casa almoçar, pra comer um aperitivo. Fecha pra siesta. Lógico. Tudo fecha pra siesta. E reabre no final da tarde, até a meia noite.

Tem gente de todas as idades. Lógico que algumas "casetas" são mais frequentadas por pessoas de mais idade, como as "casetas" regionais, nas quais cada barraca representa uma região da Espanha e têm apresentações de danças e músicas típicas. As vovós adoram! Outras têm mais jovens e tocam músicas mais atuais.

Bom, além das "casetas", a programação incluiu vários shows (até de artistas famosos na Espanha) na Plaza Mayor e no Pátio de Escuelas. Apresentações de dança, campeonatos esportivos, peças teatrais, o Festival Internacional de Artes de Rua, com espetáculos lindíssimos, lógico, no meio da rua e uma queima de fogos de meia hora no dia do aniversário da cidade. Tudo isso de graça!





O bom é que como as aulas não começaram ainda, deu pra aproveitar bastante. E eu bem acho que eles falaram que as aulas iam começar dia 6 só pra gente chegar antes e movimentar a festa. Além de gastar dinheiro nas "casetas", claro!

Pode dar bala de troco?

Já parou pra pensar quantas vezes você recebeu uma moeda de um centavo de troco? Quase nenhuma, né?! Pra mim pelo menos, receber uma moeda de um centavo é quase como sair uma nota de cem no caixa eletrônico. Muito raro.

Já perdi a conta de quantos centavos foram deixados pra trás a cada compra feita no Bahamas. Por fim, preferia pagar no cartão de débito, pra que o valor correto fosse descontado da minha conta. Porque, como já dizia propaganda do Visa, "bala de troco, que coisa triste". As lojas de "1,99" então, lucraram muito às custas dos um centavos deixados pra trás.

Por aqui eles prezam pelo troco certinho. Nunca andei com tantas moedas na vida! Se a coisa que você comprou é 1,98 e você paga com dois euros, você tem os seus dois centavos de troco. Nada de bala ou chiclete. É uma moedada danada. Ainda mais que aqui eles têm moeda de 2 euros. Você dá uma nota de dez pra pagar uma coisa que custa 1,80 e recebe o troco todo em moeda. A primeira vez foi estranho. Achei que o troco estava errado. "Esse tanto de moeda não dá o valor do troco". Até conferi.



É meus amigos, são tantos costumes que nós não estamos habituados. Sabemos o que é o certo a se fazer, mas fazemos de outro jeito. Coisas simples, mas que no dia a dia fazem a diferença. Como por exemplo,  receber o troco certo a cada compra e ter váááárias moedas de um centavo na carteira. Não dizem que é de grão em grão que a galinha enche o papo?